"E eu fui te abandonando pouco a pouco, você nem percebeu.
Primeiro acabaram as iniciativas de te procurar sempre.
Então parei de procurar desculpas pra conversar com você.
Guardei meus assuntos, meus segredos, meus desabafos.
Daí me limitei a apenas te responder vez em quando, cuidei de não estender assunto algum.
Prendi minha curiosidade, minha ansiedade, e principalmente, minha saudade.
Evitei saber da sua vida e comecei a cultivar o silêncio ao teu lado.
E uma vez morto o diálogo, era preciso matar a presença.
Fiz novos caminhos, tracei novas rotas, mudei minha rotina.
Então mudei de casa, de bairro, de cidade.
Não levei teu endereço pra não correr a tentação de te mandar nem sequer um telegrama.
Eu fui embora na esperança de que sentisse minha falta.
E achando que te castigava, condenei-me à solidão."
2 comentários:
Nossa, que triste. Não devia ser assim. Acabar na solidão.
De quem é o texto?
é tão cru e realista que chega a doer...
o pior é que é isso mesmo que fazemos ou ao menos eu faço, é tratar de me afastar apostando que assim castigo alguém quando na verdade castigo a mim mesmo....
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